Capítulo I – O Doce.

Oito segundos foram mais que o bastante para Patrícia, aos 18 anos, perceber que sua vida não teria mais sentido depois de ver o carro que seu pai dirigia, levando sua mãe e o irmão mais velho, explodindo ao ser atingido por um caminhão desgovernado ao saírem da garagem de sua casa com destino ao supermercado, que ficava dois quarteirões adiante. Ela não foi porque precisava terminar de arrumar suas malas para uma viagem de 30 dias que faria com sua família para a Jamaica. Seria a primeira viagem depois de ter passado no vestibular para direito da Universidade Federal do Ceará.

Durante essa eternidade que os veículos tomaram para parar, ela não pensou, mexeu-se ou gritou. Durante os oito segundos de perplexidade Patrícia perdoou o pai, que a estuprara aos 11 anos de idade, o irmão, que fazia sexo com ela quando bem entendia desde que Patrícia completara 15 anos, e a mãe, que sofria torturas físicas e psicológicas dos dois e nunca fez denúncia alguma e a tinha como porto-seguro.

Patrícia tomou, então, as providências necessárias para resolver toda a situação. Seguiu seus planos mais íntimos depois de cinco dias – tempo que levou para fazer o velório e o enterro dos parentes – e ganhou o mundo com R$ 500.000,00 na conta que tinha no Banco do Brasil. Mudou-se de Crato para Fortaleza, onde cursaria a faculdade que começaria seis meses mais tarde, e comprou um flat na Avenida Beira-Mar, para onde levou sua coleção de ursinhos de pelúcia e nenhuma foto. Ia começar uma nova vida.

Todos os dias ela saía cedo para procurar emprego em lojas de roupas e jóias, pois sua mãe a ensinou como se vestir e como saber o que realmente tinha valor de mercado. Não custou e conseguiu três meses de experiência numa loja no shopping center Iguatemi, vendendo peças de ouro. Dois meses depois já assumiu a chefia de contas exclusivas e a representação dos diamantes do designer italiano Pietro Palozzo. Deixou de trabalhar 12 horas e receber R$ 500,00 e passou a trabalhar por seis horas diárias, com folga nas segundas, recebendo R$ 2.000,00 mais comissões – que chegavam a quadruplicar seu salário ao final do mês.

Paty, como era chamada por todos os colegas de trabalho, não tinha amigos. Evitava todo e qualquer tipo de aproximação por parte de homens e mulheres, por conta dos traumas que tinha sofrido. Ela tinha 61 kg, distribuídos em 1,72 m, de um corpo de fazer inveja a qualquer mulher que sequer ousasse comparar-se a ela. Seus 92 cm de seios eram firmes, com mamilos em um tom de rosa bem leve, que se destacavam docemente de sua pele branca e macia como um pêssego chinês colhido na primavera. A cintura fina, com 68 cm, não mostrava nada além de músculos, que torneavam seu abdome e abriam-se para seus 101 cm de quadris e bunda empinada. Era loura de cabelos longos e brilhosos, um pouco abaixo dos ombros e os olhos acinzentados, nem verdes nem azuis. Tinha um quê de mistério neles, que ninguém sabia explicar. Seus lábios eram carnudos e formavam uma moldura perfeita para seus dentes brancos como o mais puro marfim. Olhar para ela era como ver uma obra de arte perfeita, esculpida com o maior esmero que sequer pode-se imaginar.

Mas tudo isso era pouco pra ela, que nem masturbar-se conseguia. Sua nova vida não era completa. Sentia falta de algo que conhecera. Mas não queria pensar nisso. Não queria acreditar nisso.

Continua…?

zeh.

Publicado em: on 30 Outubro 2007 at 3:25 am Comentários (10)
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10 Comentários Leave a comment.

  1. Quer uma torcida organizada? Continua, continua, continua! hahaha Tô curiosa ou melhor, estou impaciente, pra ler o resto!
    Beijos

  2. Se for descambar pra pornografia e seus fetiches doentios, é melhor… continuar! (Y)

    hahaha

  3. fodonico o conto!

  4. Agora que eu vi: “Tags: amor, ódio, glamour, tragédia, vida”
    aaaaaaaahahahahaha gostei do glamour!
    Beijos

  5. É Zeh, acho que vc acho que vc acertou a mão!
    Todo conto que se preze tem uma boa mistura de tragédias pessoais, amor, desamor e sexo!
    Vá em frente, já tô doida pra saber o resto…
    Ah, parabéns pela riqueza de detalhes!

  6. Valeu a visita. Por favor (tom de súplica)…continue, não pare. rs.
    Abrass.
    Giseli

  7. hahahaha to tentando. ;)

  8. ducaralho.

    continue, estou ansioso pelo… aprofundamento

  9. É bom que haja uma continuação na vida de Patrícia, e se essa é a parte doce, eu quero ver o que é o amargo…

  10. Oi querido!!! Só hoje pude ler você com calma. Adorei a parte dos dentes-marfim… kkkk pq né? ….rs Bjos


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