Capítulo IV – A Intriga.

Seu primeiro orgasmo, na madrugada de sábado, convertera-se num sorriso típico de uma manhã de domingo, escondido pelas lágrimas e pelas nuvens carregadas que cobriam o sol. Era sorriso singelo de alguém que queria mais daquilo, mas não sozinha. Levantou, olhou as fotos na câmera, sentiu tesão, mas não fez nada a respeito. Sua cabeça doía. Tomou um banho frio, escovou os dentes, passou seus cremes, pôs uma calcinha qualquer e foi ao computador.

O álbum do Orkut, até aquele momento, tinha apenas três fotos: uma da manhã do dia em que foi estuprada pelo pai; uma do dia em que sua família morreu; e a terceira era ela nua, de quatro, olhando para a câmera. Apagou a terceira e adicionou cinco; eróticas, não pornográficas, feitas por acaso enquanto se tocava, descobria e conhecia.

Saiu de casa, foi bater pernas no Mercado Central. Sentia saudade, de alguma maneira, de produtos sertanejos. Comprou manteiga da terra, rapadura, um mandacaru pequeno e um chicote de couro. Passou num box do mercado, almoçou uma panelada com cuscuz acompanhada de uma cajuína e depois tomou duas doses de Mangueira com mel e canela, seguidas de um cigarro.

Quando chegou de volta ao flat tirou sua roupa e foi ao computador. Três novos pedidos de amizade com três mensagens semelhantes, dizendo algo parecido com: te vi ontem no Engarrafamento e adoraria te conhecer melhor, gostosa. O sorriso, finalmente, era gostoso. Nunca tinha parado pra pensar em ter um relacionamento, mas deleitou-se com aquilo. Adicionou os três rapazes no Orkut e no MSN. Embora soubesse que só queriam usá-la, era o que ela queria fazer também. Então, tudo certo.

Branca começou a conversar com um deles e estava rindo à toa. Não mentia. Não precisava mentir. Falou do que gostava, o que fazia. Falavam de carreira, de amores mal ou bem resolvidos, da infância e adolescência, dos tempos de faculdade. Não mentia sobre nada, apenas omitia o que devia. Começaram a falar de sexo e ela se excitava a cada linha. Ligaram suas web cameras e fizeram um ensaio provocante do que aconteceria à noite.

Silvio, como se denominava, a convidou para sair. Ela topou. Esticaram a conversa por mais duas horas, até que ele precisou sair. E ela ria descontroladamente, sabendo que aquele, talvez, fosse o primeiro passo para sua bandarrice. Ele a pegou às nove e foram para o Boteco. Dançaram, se beijaram e insinuaram a noite toda. Perto das três da manhã saíram do bar e foram ao Dragon Motel, ele queria impressioná-la. Fizeram duas horas e meia do mais puro sexo. Sem sentimento ou carinho reais. Silvio gozou 4 vezes e Branca nenhuma, embora tenha tentado posições que estimulassem seu clitóris ao máximo. Ela estava frustrada. Não entendia o que havia, mas estava bem. Não se sentiu tão usada quanto imaginava.

Seis e quinze da manhã chegou em casa e Silvio lhe entregou um envelope com 300 reais. Ela riu dizendo que não queria, mas ele insistiu. Branca saiu do carro, depois de dar um beijo no rosto do seu parceiro, entrou no saguão e entregou o envelope para o recepcionista do flat. Pegou o elevador e foi pro quarto.

Continua…?

 

Publicado em: on 13 Novembro 2007 at 3:37 am Comentários (6)
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Capítulo III – O Adurente.

Branca descobriu na bebida um amigo e no cigarro um aliado. Suas noites à caça de alguém que a usasse ficavam cada vez mais longas, geralmente regadas a um litro de vodca gelada, que a deixava mais desinibida, e a uma carteira de cigarros, que, a cada tragada, a fazia relaxar e ter a certeza de que estava fazendo a coisa certa. Era sexta-feira, não chovia, e ela decidiu sair de casa. Ver gente.

Foi ao Engarrafamento, pois ouvira falar que o ambiente era bom e tinha gente divertida. Chegou lá e não viu ninguém que despertasse sua libido. Dirigiu-se ao balcão, puxou uma cadeira alta, espalhou na sua frente um celular LG Prada, duas carteiras de Camel, uma lacrada e uma com dois cigarros a menos, e um isqueiro Zippo de ouro, com as iniciais PP cravejadas de diamantes – um dos únicos dez que foram feitos por Pietro Palozzo, que lhe enviou como presente –, nessas iniciais ela via Patrícia Puta, não o nome do artista.

Pediu um litro de Absolut Vodca, acendeu um cigarro, e começou a beber de costas para o salão. Eram nove da noite, o bar ainda não estava cheio e tinha pouco barulho. Mas não importava. Ela assistia ao DVD da Madonna que passava na TV de plasma, sem som.

O burburinho no bar ia aumentando, a embriagues também. Uma hora depois o lugar já estava lotado, com gente esbarrando em suas costas a cada minuto. Ela gostava desse incômodo, relacionava isso aos movimentos que seu irmão fazia quando a comia. Faltando cerca de quatro doses para acabar seu litro, Branca pulou da cadeira com um cigarro numa mão e o copo na outra, e começou a dançar ao som de Man! I Feel Like a Woman! de Shania Twain. Seu vestido era vermelho de costas nuas. Curto e colado ao corpo, com um decote que quase mostrava o piercing no seu umbigo, chamando a atenção de todos, que a notaram somente naquele momento. A despeito do seu corpaço, fazia movimentos suaves. Cada rebolado que ela dava era um queixo que caía.

Acabou a música, acabou o show. Alguns aplaudiram, assobiaram e outros levaram tapas das namoradas. Branca sorriu, com uma cara de satisfação, pagou sua conta, pegou a garrafa com um resto de bebida e voltou pra casa.

Chegou feliz, desequilibrada e derrubou um abajur que ficava ao lado da porta, numa mesinha. Tirou os sapatos e foi direto para o computador. Viu que mais gente a tinha adicionado no Orkut. Ela riu alto. Pegou seu vibrador e um consolo de 25cm, sua câmera digital Canon S5IS e foi pra cama.

Deitada na cama, ouvindo o barulho mínimo que seu ar-condicionado split fazia, abriu as pernas e começou a se tocar, por cima do vestido e da calcinha mínima que usava, que já estava molhada pelo erotismo da dança. Branca começou a tocar seus seios e a tirar fotos. Suas unhas compridas faziam cócegas quando passava por dentro das coxas.

Continua…?

Publicado em: on 3 Novembro 2007 at 4:31 am Comentários (7)
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