Seu primeiro orgasmo, na madrugada de sábado, convertera-se num sorriso típico de uma manhã de domingo, escondido pelas lágrimas e pelas nuvens carregadas que cobriam o sol. Era sorriso singelo de alguém que queria mais daquilo, mas não sozinha. Levantou, olhou as fotos na câmera, sentiu tesão, mas não fez nada a respeito. Sua cabeça doía. Tomou um banho frio, escovou os dentes, passou seus cremes, pôs uma calcinha qualquer e foi ao computador.
O álbum do Orkut, até aquele momento, tinha apenas três fotos: uma da manhã do dia em que foi estuprada pelo pai; uma do dia em que sua família morreu; e a terceira era ela nua, de quatro, olhando para a câmera. Apagou a terceira e adicionou cinco; eróticas, não pornográficas, feitas por acaso enquanto se tocava, descobria e conhecia.
Saiu de casa, foi bater pernas no Mercado Central. Sentia saudade, de alguma maneira, de produtos sertanejos. Comprou manteiga da terra, rapadura, um mandacaru pequeno e um chicote de couro. Passou num box do mercado, almoçou uma panelada com cuscuz acompanhada de uma cajuína e depois tomou duas doses de Mangueira com mel e canela, seguidas de um cigarro.
Quando chegou de volta ao flat tirou sua roupa e foi ao computador. Três novos pedidos de amizade com três mensagens semelhantes, dizendo algo parecido com: te vi ontem no Engarrafamento e adoraria te conhecer melhor, gostosa. O sorriso, finalmente, era gostoso. Nunca tinha parado pra pensar em ter um relacionamento, mas deleitou-se com aquilo. Adicionou os três rapazes no Orkut e no MSN. Embora soubesse que só queriam usá-la, era o que ela queria fazer também. Então, tudo certo.
Branca começou a conversar com um deles e estava rindo à toa. Não mentia. Não precisava mentir. Falou do que gostava, o que fazia. Falavam de carreira, de amores mal ou bem resolvidos, da infância e adolescência, dos tempos de faculdade. Não mentia sobre nada, apenas omitia o que devia. Começaram a falar de sexo e ela se excitava a cada linha. Ligaram suas web cameras e fizeram um ensaio provocante do que aconteceria à noite.
Silvio, como se denominava, a convidou para sair. Ela topou. Esticaram a conversa por mais duas horas, até que ele precisou sair. E ela ria descontroladamente, sabendo que aquele, talvez, fosse o primeiro passo para sua bandarrice. Ele a pegou às nove e foram para o Boteco. Dançaram, se beijaram e insinuaram a noite toda. Perto das três da manhã saíram do bar e foram ao Dragon Motel, ele queria impressioná-la. Fizeram duas horas e meia do mais puro sexo. Sem sentimento ou carinho reais. Silvio gozou 4 vezes e Branca nenhuma, embora tenha tentado posições que estimulassem seu clitóris ao máximo. Ela estava frustrada. Não entendia o que havia, mas estava bem. Não se sentiu tão usada quanto imaginava.
Seis e quinze da manhã chegou em casa e Silvio lhe entregou um envelope com 300 reais. Ela riu dizendo que não queria, mas ele insistiu. Branca saiu do carro, depois de dar um beijo no rosto do seu parceiro, entrou no saguão e entregou o envelope para o recepcionista do flat. Pegou o elevador e foi pro quarto.
Continua…?